Space BetweenQueria agradecer a Eleuza Morais por ter em algum momento pintado essa linda tela... que agora serve tão belamente a reflexão do texto de hoje.
O quanto estamos distantes um do outro, e como nos damos conta de nossa individualidade?
Porque vivemos sempre na dúvida do entre 'o eu e o outro' quem importa mais ao tomarmos nossas atitudes e ao fazermos nossas escolhas?
"Estamos mergulhados em valores sociais." (Medvedev)
Sou um ser individual? um ser social? um ser biológico? quem sou?
Sou tudo isso e mais um pouco...sou misto de saber e não - saber, diria até mesmo que mais do não - saber.
Vivemos procurando respostas pras nossas dúvidas, mas confesso que o que me fascina não são as respostas e sim a invenção da pergunta.
Há um filósofo da linguagem chamado Mikhail Bakhtin, mas mais que a linguagem suas reflexões poderiam ser usadas na vida.
Muitas frases me fazem refletir mas nesse pequeno texto que estou escrevendo irei citar apenas uma.
" O entendimento que tenho de mim, passa pelo entendimento que o outro tem de mim. " (Mikhail Bakhtin).
Quando expresso meus sentimentos, minhas reflexões, eu estou na verdade enunciando meus valores, o que eu sou, o que eu gosto, mas também o que eu não sou, o que eu não gosto...
Quando estou conversando meus valores estão em conflito com os valores do outro, e aí nesse ponto pode até mesmoo surgir um terceiro valor ou ainda o meu 'eu' ser reforçado devido ao embate com o 'eu' do outro...
Pense comgo se essa frase for verdadeira então a individualidade só poder ser dada na convivência social e quanto mais conhecermos pessoa diferentes mas poderemos reforçar nossas diferenças, nossa personalidade e então moldarmos um ser único, e assim então surgir o que chamamos ser "único", como afirmava Eráclito, somos únicos, podemos muitas vezes encontrar pessoas com quem temos afinidades e diversas coisas em comum, mas somos únicos, e mesmo assim sendo, só existimos em oposição ao outro.
Só podemos afirmar porque em algum momento alguém negou... eu então me constítuo pelo que sou... mas o que me moldou a ser o que sou é extamente ter sabido em algum momento o que eu não era...
Digam se não é fascinante pensar... que sou o que sou, graças ao que não sou.
O mundo é dialógico e se dá numa arena de choques de valores, de diálogos entre tudo o que lemos, escrevemos, somos constituídos por partículas de tudo, existimos através da oposição.
A nossa individualidade é construída socialmente.
Termino dizendo que ... É só quando conheço o outro que me conheço...
Vamos nos conhecer, nos respeitar e quem sabe nos entender, e quando formos diferentes vamos agradecer a chance de poder refletir sermos um 'EU' .
Beijo carinhoso para os meus OUTROS.
Isa

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